Atividades para maternal 2, com objetivos e campos de experiência
Aos 3 e 4 anos aparece o enredo. A criança já sustenta uma investigação por vários dias — e é aqui que o planejamento em sequência começa a render de verdade.

Se o maternal 1 é a turma do transbordo, o maternal 2 é a turma em que o enredo aparece. A criança já negocia, já conta o que aconteceu, já retoma no dia seguinte a brincadeira de ontem.
Isso muda o que dá para planejar: aqui a sequência de vários dias começa a funcionar de verdade, e é o que mais economiza preparação.
Este é o passo seguinte ao maternal 1 e o recorte por turma do guia geral de atividades.
Para qual turma é este texto
Maternal 2 costuma corresponder à faixa de 3 a 4 anos, no fim do grupo das crianças bem pequenas e início das crianças pequenas, conforme a BNCC. Como sempre, a nomenclatura varia por rede — maternal II, M2, grupo 4 — e vale conferir a sua.
O que muda em relação ao maternal 1
- Enredo no faz de conta. História com começo, meio e fim, com mais de um personagem e alguma complicação.
- Negociação. "Você é o filho e eu sou a mãe." Combinar as regras da brincadeira passa a ocupar tanto tempo quanto brincar — e é a parte mais valiosa.
- Atenção mais longa. Quinze a vinte minutos numa proposta que interessa.
- Memória de ontem. Ela retoma o que ficou pela metade, o que viabiliza projeto e sequência.
- Pergunta encadeada. O "por quê" aparece e não para mais.
- Motor fino mais preciso. Tesoura sem ponta, formas fechadas, encaixes menores.
Escuta, fala, pensamento e imaginação
- Reconto com apoio de imagens. Depois da história, cartelas para ordenar o que veio primeiro, depois e no fim.
- Final diferente. Recontar uma história conhecida e parar antes do fim, para o grupo inventar outro.
- História com três objetos. A turma escolhe três coisas e a história precisa usar as três.
- Escrita com função real. Escrever junto a lista do passeio, o cardápio da semana, o nome nos crachás. Escrita com uso, não exercício.
- Cantinho de faz de conta temático, montado com a turma: mercado, consultório, oficina.
- Roda de novidades curta, com objeto ou desenho para apoiar quem tem dificuldade de falar em grupo.
O eu, o outro e o nós
- Combinados construídos com a turma. Poucos, ilustrados, feitos por eles e afixados na altura deles. Regra que a criança ajudou a criar é cobrada por ela.
- Jogo cooperativo sem eliminação. Quem é pego vira parceiro, e o grupo cresce em vez de encolher.
- Livro das famílias da turma. Cada criança traz foto ou desenho de quem mora com ela. Todas viram página do mesmo livro.
- Assembleia curta. Um problema real da sala colocado em roda para o grupo propor solução.
- Duplas rotativas em vez de grupo grande, mudando a cada semana.
- Função de verdade. Ajudante do dia com tarefa concreta: distribuir material, contar quantos vieram.
O faz de conta é a ferramenta central desta idade. Veja faz de conta: como a brincadeira simbólica constrói o pensamento.
Espaços, tempos, quantidades e transformações
- Boia ou afunda. Bacia com água e objetos variados. Antes de testar, cada criança arrisca um palpite — é onde nasce a ideia de hipótese.
- Plantio com acompanhamento. Feijão no algodão, regar, medir, desenhar a mudança a cada dois dias.
- Caça a bichinhos com lupa, e a combinação de devolver ao lugar.
- Culinária sem fogo. Salada de frutas, sanduíche, suco. Contar, medir, dividir, esperar.
- Medir com o que não é régua. Quantos pés tem a sala? Quantas mãos tem a mesa?
- Sombra ao longo do dia, contornada com giz em três horários.
Traços, sons, cores e formas
- Mural coletivo em etapas, construído ao longo da semana e não em um dia.
- Argila e barro, que exigem mais força e sustentam forma melhor que a massinha.
- Tesoura sem ponta, com papel firme e linhas largas para começar.
- Ateliê de elementos naturais. Folhas, sementes, pedras e gravetos numa mesa, para compor e recompor.
- Teatro de sombras com lanterna e parede.
- Música com escuta ativa. Ouvir, identificar instrumentos, criar movimento para cada trecho.
Corpo, gestos e movimentos
- Circuito com desafio combinado, montado pelas crianças e alterado por elas a cada rodada.
- Jogos com regra simples. Amarelinha, estátua, morto-vivo, pega-pega com casa.
- Equilíbrio. Linha no chão, tábua baixa, andar com objeto na cabeça.
- Arremesso e pontaria. Bola em balde, saquinho em alvo.
- Danças com sequência a memorizar.
- Autonomia nos cuidados. Servir-se, limpar o que derramou, guardar o próprio material.
A sequência que rende a semana inteira
Aqui está o maior ganho de planejamento desta turma. Em vez de cinco atividades soltas, uma proposta em cinco camadas. Você prepara uma vez e a turma aprofunda.
Exemplo com uma poça d'água que apareceu no pátio depois da chuva:
- Segunda — observar, tocar, descrever. O que vocês veem?
- Terça — medir com potes. É maior que ontem?
- Quarta — testar. O que boia? Quanto tempo o tecido leva para secar?
- Quinta — representar em desenho ou construção.
- Sexta — inventar uma história sobre a poça e registrar no mural.
Nomeando os campos depois: ET na medida e na transformação, CG em agachar e carregar, TS no desenho, EF na história e EO em dividir os potes. Cinco campos em uma poça — e uma preparação só.
Objetivos no planejamento
Os objetivos oficiais desta faixa ficam entre os grupos EI02 e EI03 da BNCC, conforme a idade das crianças da sua turma. Consulte no texto oficial ou no currículo da rede, em vez de confiar em lista reproduzida de memória.
No plano, nomeie o campo e descreva com suas palavras:
- Campo: Escuta, fala, pensamento e imaginação. Objetivo: recontar histórias conhecidas mantendo a sequência dos acontecimentos.
- Campo: Espaços, tempos, quantidades. Objetivo: levantar hipóteses sobre fenômenos observados e verificá-las na prática.
- Campo: O eu, o outro e o nós. Objetivo: participar da construção de combinados coletivos e cobrá-los entre pares.
A turma seguinte está em atividades para maternal 3. Para o registro e a avaliação do período, veja avaliação na educação infantil.
Perguntas frequentes
Qual a idade do maternal 2?
Costuma corresponder à faixa de 3 a 4 anos, no fim do grupo das crianças bem pequenas e início das crianças pequenas conforme a BNCC. A nomenclatura varia entre redes — maternal II, M2, grupo 4 — e vale conferir a organização da sua escola.
Que atividades fazer no maternal 2?
Propostas que aproveitem o enredo e a memória de ontem: reconto com apoio de imagens, cantinho de faz de conta temático montado com a turma, boia ou afunda com palpite antes do teste, plantio com acompanhamento, jogos cooperativos sem eliminação e combinados construídos coletivamente. É a idade em que sequências de vários dias passam a render.
O que é uma sequência didática no maternal?
É a mesma proposta em camadas ao longo de alguns dias, cada dia acrescentando uma dimensão: observar, medir, testar, representar e narrar. Rende muito mais que cinco atividades soltas, porque a turma aprofunda em vez de trocar de assunto, e exige uma preparação só em vez de cinco.
Quando introduzir a tesoura na educação infantil?
Por volta dos 3 anos já é possível começar com tesoura sem ponta, usando papel firme e linhas largas, sempre com supervisão. Antes disso, o movimento de pinça se desenvolve melhor rasgando papel, usando pregadores e manipulando massinha, que preparam a mão para o corte.

Atividades para maternal 3, com objetivos e campos de experiência
Aos 4 e 5 anos entram o projeto, a regra e o registro. É a turma que já investiga por semanas — e a que mais sofre com a antecipação da alfabetização.

Musicalização infantil: o que é, o que desenvolve e como fazer
Musicalizar não é ensinar música. É oferecer experiência sonora organizada — e para isso não é preciso saber tocar absolutamente nada.

Atividades para maternal 1, com objetivos e campos de experiência
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Este texto faz parte do canteiro Sala de aula e educação infantil. Veja também o índice completo da Biblioteca do Cuidar.
